Liderada pelo SENAI Eletroquímica (Curitiba-Brasil), nova planta com capacidade de ~ 10 MWh/ano e foco em células cilíndricas e prismáticas, posiciona o país como protagonista emergente na transição energética e na construção de uma cadeia nacional de alto valor agregado.
A transição energética global acaba de ganhar um novo capítulo na América Latina, e o Brasil assume protagonismo. Está em fase avançada de implementação a primeira planta nacional de produção de células de baterias de íons-lítio, com capacidade de ~ 10 MWh/ano, contemplando duas das principais geometrias utilizadas globalmente: cilíndrica e prismática.
O projeto, liderado pelo SENAI Eletroquímica, consolida o país como um novo polo emergente em tecnologias de armazenamento de energia, com potencial para impulsionar toda a cadeia produtiva nacional.
Infraestrutura de padrão internacional.
A planta foi concebida com base nas melhores práticas globais de manufatura de baterias, com equipamentos adquiridos da empresa SUNTE, referência internacional no fornecimento de soluções industriais e integração de sistemas.
A equipe técnica brasileira já passou pela etapa de Factory Acceptance Test (FAT) diretamente na fábrica do fornecedor, garantindo a validação dos equipamentos e a transferência de conhecimento crítico. Neste momento, o projeto avança para uma das etapas mais sensíveis do processo, a preparação da sala de controle de umidade, condição essencial para assegurar a qualidade e segurança na produção de células eletroquímicas de alto padrão. Esse rigor técnico posiciona a planta em um patamar competitivo internacional, abrindo caminho para o desenvolvimento de produtos com alto valor agregado no Brasil.
Um projeto estruturante para o Brasil.
Mais do que uma planta industrial, essa iniciativa representa um investimento estratégico para o país. O projeto foi viabilizado com apoio do programa Rota 2030, com financiamento coordenado pelo SENAI Departamento Nacional e pela EMBRAPII.
A execução conta ainda com o suporte técnico do CPQD e a participação ativa de um consórcio formado por 27 empresas que, ao final do projeto, terão acesso a baterias desenvolvidas e produzidas no próprio território nacional.
Esse modelo colaborativo fortalece o ecossistema de inovação, conectando indústria, pesquisa aplicada e desenvolvimento tecnológico.
Indução da cadeia de valor e soberania tecnológica.
A implantação dessa MEGAFACTORY representa um marco indutor para o desenvolvimento da cadeia de valor de baterias no Brasil. Desde a engenharia de materiais até a integração em sistemas energéticos e aplicações automotivas, o projeto cria as bases para a nacionalização progressiva de tecnologias críticas. Em um cenário geopolítico global marcado por instabilidades e disputas por recursos estratégicos, como o lítio, a capacidade de produzir localmente células de baterias torna-se não apenas uma vantagem competitiva, mas uma questão de soberania nacional. Além disso, a iniciativa promove o desenvolvimento de competências técnicas de alto nível, formando especialistas e consolidando o Brasil como referência em eletroquímica aplicada ao armazenamento de energia.
Governança e visão de longo prazo.
Dada a relevância estratégica e o volume de investimento envolvido, algo próximo de U$ 13 milhões, foi estruturado um comitê consultivo com a participação de entidades representativas do setor automotivo. Esse fórum tem papel fundamental na orientação das diretrizes tecnológicas, alinhando o projeto às demandas reais da indústria e às tendências globais de eletrificação.
SENAI Eletroquímica, uma Referência Nacional.
No centro dessa transformação está o SENAI Eletroquímica, que se consolida como a principal referência nacional em soluções tecnológicas, pesquisa aplicada e serviços especializados em baterias, sistemas de armazenamento de energia e interoperabilidade em sistemas de recarga de veículos elétricos. Com essa nova infraestrutura, o instituto não apenas amplia sua capacidade de atuação, mas também posiciona o Brasil de forma mais competitiva no cenário internacional.
Conclusão.
A implementação da primeira planta de baterias de íons-lítio da América Latina é mais do que um avanço tecnológico é um movimento estratégico que conecta inovação, indústria e soberania. Ao criar as bases para uma cadeia produtiva nacional robusta, o Brasil dá um passo decisivo rumo ao futuro da energia, assumindo um papel ativo na transição energética global.
Equipamentos da nova planta

Empresas e instituições parceiras e entidades do conselho consultivo.
Marcos Berton, D.Sc.
Pesquisador Chefe | Gerencia de Tecnologia e Inovação